07/08/2016

Fora de Âmbito - As minhas teorias musicais: Segundo



Venho por este meio novamente partilhar um bocadinho das coisas que passo a vida a ouvir. Eu tenho uma grande tendência para ser leal a todos os artistas que oiço, pelo que assim que gosto de uma coisa, o mais provável é ouvi-la vezes, e vezes sem conta.

Desta vez venho trazer um artista R&B Coreano, chamado DEAN. Ora bem, eu descobri este moço no fim do ano passado ou início deste ano (sinceramente já não tenho bem a certeza), e como tantas outras descobertas, foi por acaso ou acidentalmente.

DEAN tem um som bastante diferente do "típico" K-pop, e isso agradou-me bastante e surpreendeu-me pela positiva. A primeira música que ouvi dele, era toda cantada em inglês e na minha inocência até achei que fosse um americano descendente de coreanos (como há tantos por aí).

Depois de fazer o meu trabalho de stalker, descobri que ele é nascido e criado a 100% na Coreia do Sul, mas que fez a sua estreia nos EUA, sendo o seu single produzido parcialmente por produtores Americanos, se não estou em erro.

Claro que os mixes do YouTube fazem maravilhas, e lá fui ouvindo e vendo os vídeos todos disponíveis no canal do moço. Para além de ter uma voz algo única (coisa que se encontra bastante na Ásia), é ele que escreve e produz as músicas dele. Tem mesmo um som alternativo e refrescante às músicas que a sul-coreia gosta de por a vender neste momento, que a meu ver, soam-me todas ao mesmo!

Para além de produzir e escrever todas as suas músicas, ele também já escreveu músicas para várias bandas de k-pop que estão aí na berra, como EXO, por exemplo. Ele é migo do CRUSH e do ZICO, mais dois moços que também adoro ouvir, e que sou capaz de escrever sobre, no futuro.

Ainda acho bastante graça ao facto de só me aparecer o Dean do Sobrenatural quando o pesquiso, mas de dia para dia há cada vez mais artigos sobre ele e sobre a música dele e há cada vez mais fãs em cima do acontecimento, embora ele não esteja inserido na categoria de 'ídolo' e não haver de facto, muitas presenças em programas.

Se quiserem conhecer, recomendo Bonnie&Clyde e I love it. Ou simplesmente oiçam o álbum todo dele chamado 130 Mood: TRBL. Todo ele é muito bom e sou capaz de ouvir vezes e vezes sem conta.

Só por curiosidade: o nome DEAN foi escolhido e inspirado no actor James Dean, e o nome do álbum 130 Mood: TRBL, porque ao que parece 130 era o número que o actor tinha no carro dele. Para terminar, o moço é maravilhoso e é escorpião de signo, o que só faz dele ainda melhor!^^




03/08/2016

Dia 14 - Ironia



Como já expliquei noutro post, eu tenho alguns problemas na área social e prefiro naturalmente ficar sossegadinha no meu canto, do que enfrentar pessoas.

No entanto, inspirei-me na ironia da minha vida para escrever este pedacinho. Quando eu finalmente ganho coragem para combinar seja o que for, com alguma amiga minha (que na totalidade devem ser umas 4 ou 5) há sempre uma delas que se lembra sempre de cancelar, ou adiar. Sempre! Ou seja, aquilo que eu passei alguns anos da minha adolescência a fazer, de modo a evitar o convívio com pessoas, acontece-me a mim, a toda a hora.

Tudo na minha vida é assim! Quando eu quero sair, alguém me vai dizer que não dá e que fica para outro dia. Quando eu gosto de uma banda nova, a banda está parada naquele momento, saíram elementos, ou então vai-se separar. Quando eu quero muito um set de correctores de cor para o rosto, miraculosamente todas as lojas de cosmética já não vendem. Esta é a minha sina.

Ora expliquem-me agora o que é que digo às almas insistentes que me chateiam constantemente, a dizerem-me "Tens de sair, porque te faz bem"? Pois...quando eu tomo essa iniciativa (porque por mim não havia nada disso) quase nunca ninguém pode.

Automaticamente, o que eu penso é - "Ok, não vou combinar nada nunca mais." Para mim é tão complicado sair do meu espaço e combinar alguma coisa. Vocês sabem a energia despendida por mim para isso? Eu tenho de me mentalizar que vou sair; que vou estar com a pessoa A, B, ou C; que vou encontrar as pessoas X e Y também; que vou ter de provavelmente conduzir para um sítio onde vou ter de me enervar à procura dum lugar para estacionar (conduzir não é das minhas paixões). É uma carga de trabalhos, amigos!

E no fim de tudo isto, dizem-me que não vai dar. Pois...eu acabo por desistir.

Será que como toda a gente sabe que eu não gosto de sair, desmarcam com mais facilidade? Porque "Ah e tal ela não se vai importar"? Ou será que é porque eu tenho de combinar tudo com muiiiitaaaaa antecedência? É que nada destas coisas pode ser combinada para o próprio dia. Eu entro em pânico, mesmo. Como a maioria das pessoas gosta de viver livremente e sem compromissos, acabam por ficar sem vontade quando aparece alguém que tem de ter tudo bem combinado. Esta minha teoria faz todo o sentido! (palmadinha nas costas a mim própria)

Entendam que eu não sou a melhor pessoa para julgar isto, até porque eu já dei tampas a muita gente (por isso é que eu digo que é a minha sina). Mas, apenas só serve para me lembrar que quando for a vossa vez, e não me apetecer, se calhar não vou mesmo fazer nenhum esforço e vou dizer que não. 

Eu gosto de ficar em casa. Quando combino, e fico em casa na mesma, só me dá vontade de não combinar nada nunca mais.

Vou começar a arranjar o meu stock de gatos, porque já percebi que é isso que me espera no futuro: eterna solteirona que não gosta de sair, e gosta de conversar com gatos. Olhem que a ideia já me pareceu mais descabida - agora até me parece bem ;)

Para algum dos meus amigos que leia, e que se identifique - não levem a mal, nem fiquem aborrecidos. Isto é apenas a constatação de uma coisa que acontece bastantes vezes, que eu escrevo com todo o meu bom-humor, sem qualquer mágoa ou má intenção, tá?



26/07/2016

Dia 13 - Generosidade

Durante anos da minha vida, mais propriamente na minha adolescência, surgiam-me muitas dúvidas sobre o porquê dos meus avós escolherem viver a vida deles da maneira como viviam. Para mim, a vida foi feita para ser vivida e aproveitada ao máximo; gastar dinheiro porque quando morrermos ele não vai connosco; e não viver a vida em função de mais ninguém.

Através deste meu processo de auto-conhecimento, e de mudança, tenho vindo a aperceber-me que não concordo nada com essa minha maneira antiga de pensar. Depois de uma conversa com o meu avô, ganhei inspiração para escrever este post.

Tanto o meu avô como a minha avó passaram por algumas dificuldades na infância, que só melhoraram um pouco depois de adultos e de se casarem. Mesmo, a minha mãe e os meus tios passaram por algumas dificuldades, não tão extremas claro, mas nada pelo qual eu tenha passado enquanto criança.

E graças ao esforço e ao controlo, eles são capazes de neste momento ajudar os três filhos, e consequentemente os netos.

Eu não entendia isto! Sempre achei que isto era uma maneira estúpida e frustrada de levar a vida - Afinal de que serve fazer sacrifícios se depois no fim nem vamos gozar? Isto é a cabeça de uma adolescente revoltada a pensar.

Chego à conclusão que para sermos felizes e gozarmos a vida, não necessitamos obrigatoriamente de fazer viagens no estrangeiro, nem gastar dinheiro loucamente. Talvez isso seja o meu ideal, ou de outras pessoas, mas não é nem nunca foi o deles.

Tudo o que têm feito e fazem por nós, é de uma completa generosidade, sem egoísmo, sem nunca pedir nada em troca. É por pura vontade, por gosto e amor.

Tantas vezes que me senti culpada por "abusar" das boleias do meu avô, ou dos "favores" da minha avó. Quando lá estou não tenho de fazer nada e sou tratada como uma verdadeira princesa. E ao passo que antes isto irritava-me profundamente (porque os adolescentes querem ser adultos, e ser adulto é sinónimo de gostar de fazer tudo sozinho) agora deixa-me completamente feliz e relaxada.

E apesar de todas as coisas más que eu possa ter feito ou dito no passado, nenhum dos dois me guarda rancor por isso - sabem que foi uma fase, e deixaram passar.

Há quem escolha viver a vida para seu próprio bem, e ser feliz assim. E há quem escolha que o propósito da vida é fazer sacrifícios para os outros viverem bem e felizes.

Por isso, aproveitem-nos bem: os avós nem sempre têm razão, e não temos de fazer as nossas escolhas em função do que acham que é melhor para nós; mas há sempre algo de bom e benéfico a retirar de cada ensinamento.

Eu fiz a escolha de o passar a fazer sempre. E como diz o meu avô:"Não me agradeçam por nada do que eu faço, porque eu não fiz nada obrigado e se o faço é porque quero mesmo fazer."

PS: Na minha pesquisa de uma imagem fofinha para colocar no fim, apercebi-me que hoje é Dia dos avós! Ironia da vida! Feliz dia dos avós para todos!

08/07/2016

Dia 12 - Jogadas Arriscadas

Após umas horas sentada no meu sofá, surgiu-me a inspiração para escrever este pedacinho. Estava a dar na televisão, num daqueles canais extremamente educativos (que muitas pessoas gostam de ver mas não irão admitir), pessoas famosas que morreram, em Hollywood, cedo demais.

Vou começar por dizer que, tal como muitas pessoas que andam por aí, eu acho piada a todo o mundo brilhante e deslumbrante que certas pessoas foram inteligentes o suficiente para nos fazer acreditar que são só facilidades e é mesmo assim. Mas, ao contrário das muitas pessoas que caíram nesta tentação, há que dar importância aos nossos valores e rodearmo-nos de pessoas que nos saibam manter com os pés assentes na Terra.

Claramente, isto não acontece no Mundo do Espectáculo, e nenhuma das pessoas que mostraram neste programa teve essa sorte. Faz-me pensar que, muitas das vezes lutamos todos os dias com os nossos problemas - financeiros, emocionais, etc. - e estas pessoas que aparentemente "têm" tudo, deitam-no a perder, caindo na asneira do consumo de drogas, álcool, jogo, entre outros.

Mostrou o caso da Whitney Houston: uma verdadeira Diva da música, com uma voz incomparável e que tinha sem dúvida um brilhante futuro pela frente. Toda a vida dela foi desgraçada a partir do momento que se juntou a más companhias, como o marido dela na altura e com o consumo de drogas. Isto tudo em troca de quê? De uma carreira, e de fama.

Não especificamente em troca de, mas na consequência de. Muitas das vezes temos dificuldades em lidar com todos os problemas e pressão que sofremos na nossa vida. Agora imaginem isto tudo, com um público nervoso e ansioso pelos nossos podres, sempre com as facas afiadas e câmaras apontadas, prontas para nos verem cair a qualquer segundo. Não é de todo uma situação de sonho, e acredito que para alguém sem uma boa estrutura familiar e mental, dê sempre em asneira no fim.

Quando digo isto não estou de todo a desculpar estas acções! Eu acredito que há sempre uma solução, sem ser enveredar pelo mau caminho. E com certeza, poderão todos dizer na maior das facilidades "Ninguém os obrigou a ir para lá. Há sempre um preço a pagar pela fama." Eu tenho sentimentos contraditórios sobre isto. É verdade, ninguém força ninguém a ir para esta vida e indústria e também acredito que têm de ser feitos sacrifícios pela fama. Mas até que ponto tem de "haver um preço a pagar"

Para muitas destas pessoas, o preço a pagar foi a infelicidade, o vício e a morte. Não me parece que seja isto que deva sair de uma coisa aparentemente boa, que é o entretenimento.

Eu adoro ser entretida. Eu deliro a ver bandas asiáticas, a ver bailarinos, até patinadores artísticos. Na realidade, todas estas profissões têm o objectivo de trazer sempre algo de bom, positivo e até felicidade a alguém, que é o público. Porque é que tantas destas pessoas que simplesmente decidiram abdicar de uma juventude "normal" por um sonho, têm um fim tão trágico? Que tipo de pressão é posta em cima destas pessoas, que as faz chegar a um ponto de ruptura tão grande, que a única opção é procurar refúgio em coisas que só as vai destruir?

Analisando a coisa friamente, e partindo muito da opinião que formei por ler muitos artigos relacionados com este Mundo, tudo começa com a ideia de sonhos, grandeza e poder que anos após anos, foram sendo plantados nas nossas cabeças através dos media. Cada pessoa lida com a coisa à sua maneira, mas se formos um bocadinho  mais longe até ao mundo do K-pop por exemplo, a maioria das pessoas que tomou interesse na Coreia do Sul quer viver lá por causa do K-pop, e quer tornar-se uma estrela pop porque acredita que aquilo que vemos nos nossos ecrãs é na realidade mesmo assim.

A maioria esquece-se da quantidade de sacrifícios que a maioria deles fez, como abdicar de uma juventude, como namorar, como sair à noite e fazer parvoíces próprias da idade, até como comer um hambúrguer porque estão constantemente de dieta. Isto, a meu ver é cruel e pode causar desespero e danos irreversíveis numa pessoa.

Para concluir, eu não julgo nem desprezo as pessoas que tenham o sonho de fazerem parte deste mundo - isso seria cínico da minha parte, pois eu sou fã de uma data de artistas, deliro e apoio sempre que trazem alguma coisa para os fãs, e adoro descobrir sempre novos artistas para me entreter. Mas tenho sempre em mente uma coisa: nunca vou exigir ou julgar estas pessoas por coisas que um Ser Humano faz normalmente.

E esta é provavelmente uma das razões pelas quais eu sou sempre uma fã no armário: eu não consigo lidar com fãs que não conseguem passar por cima do facto do artista X ir casar com a artista Y; ou pelo facto de artista Z não tenha sorrido para uma foto quando foi abordado na rua, num dia de folga. Lembrem-se que somos todos Seres Humanos, e todos partilhamos das mesmas aspirações e nem todos os dias são bons dias.

Isto é inteiramente a minha opinião, e se por acaso alguém estiver a passar por alguma fase menos boa, lembrem-se que há sempre outra saída e que nada deve ser mais importante que o vosso bem estar, saúde e vida. O resto, resolve-se! E se por acaso, houver menos um fã, dois, três, o que é que isso interessa? O Mundo é grande, e irá haver sempre alguém que irá gostar de nós.

06/07/2016

Dia 11 - Introvertidos




Hoje calhei em ver um video no YouTube sobre uma moça a falar sobre como gosta imenso de estar sozinha, ficar em casa mais do que sair, e de como decidiu assumir que é uma introvertida, sem problema nenhum.

Devo dizer que me identifiquei bastante com aquele video e com tudo aquilo que ela disse. Todas as características estão cá. Num post anterior, eu falei sobre a minha dificuldade em socializar e conviver naturalmente com pessoas que não conheço bem, ou situações desconhecidas de todo. Confessei também, que gostava de conseguir mudar essa parte da minha personalidade, por ser mais fácil, porque estar demasiado tempo sozinha também não é saudável, blá blá blá.

Mas até que ponto, é que ser introvertida é assim tão errado quanto isso? Porque é que se uma rapariga ou rapaz adorar sair todas as noites, é visto de maneira completamente normal e aceitável perante a sociedade, mas alguém que antes prefere ficar em casa a ler um livro, jogar, ver séries/filmes já tem automaticamente um problema? Porque é que isto é tão errado e visto de maneiras completamente diferentes?

Durante a minha adolescência e na passagem para a chamada idade adulta, deparei-me exactamente com este problema: Eu não gostava muito de sair, gostava mais de passar tempo com a minha cabeça do que conversar com outras pessoas, passava muito mais tempo a desenvolver ideias ou a escrever do que propriamente a conversar, e isolava-me muito facilmente com apenas um grupo de 3 ou 4 pessoas amigas. Isto teve tendência a piorar quando saí da escola e deixei de estudar: não era tão fácil conhecer outras pessoas, as pessoas que iam aparecendo não partilhavam dos mesmos interesses, e sim, a distância da minha residência ao local “onde tudo acontecia” dificultava também este processo.

Posso dizer que durante bastante tempo, esta minha faceta incomodava-me um pouco. Não entendia o porquê de ter tão pouca vontade de conviver, a falta de interesse por certas pessoas, a minha dificuldade em conversar com pessoas que não tinham mesmo nada a ver comigo e por último, não conseguir passar por cima destas barreiras por umas horas de diversão.

Para mim, nada disto era divertido; era cansativo. Ainda hoje é. Eu fico animada quando finalmente tenho um convite para sair, ou arranjo alguém para sair comigo...Mas ao fim dumas horas, eu já só vejo a hora de chegar a casa, vestir o meu pijama e ficar mais uma vez no meu mundo, escrever as minhas histórias ou descobrir mais uns quantos artistas para a minha colecção. Todo o processo de socialização tira-me toda a pouca energia que ainda me resta.

Se olharmos para isto de maneira objectiva, não há nada de errado com isso. Ok, eu aceito que sou uma pessoa que tenho tendência a isolar-me, não sou de todo uma borboleta social com feitio capaz de me dar com tudo e todos, e gosto de passar mais tempo em casa a ler do que numa festa ou café barulhentos. Ok, e então? Qual é realmente o problema disto? Isto será mesmo um problema grave, ou simplesmente eu e todos os introvertidos encaramos desta forma porque a sociedade (família, amigos, pessoas no geral à nossa volta) dizem-nos que “Ah e tal tu és jovem e não quereres sair não é normal”? Será que isto é devido a algum “medo” da rejeição como falei que sentia, anteriormente, ou trata-se apenas de uma preferência pessoal?

Num momento de lucidez, eu vou apostar que é a segunda. Como é que a sociedade sabe se eu sou mais feliz imensamente rodeada de pessoas ou sozinha no meu canto? Eu gosto de sair e de conviver. Quem não me conhece bem, até acha que eu sou super sociável. Mas eu gosto tanto de estar sossegada em casa. E quando digo sossegada, não necessita de ser propriamente sozinha: eu gosto de estar acompanhada. Mas será sempre com alguém com quem me sinto confortável  e que irá saber respeitar que nem todos nascemos para sermos extrovertidos e sociáveis.

Sou uma introvertida, não pretendo mudar isso no futuro, e não há nada de errado comigo. O passo para a cura, será sempre a aceitação. E a partir do momento, que todos olhemos para isto com esta intenção, o resto será muito mais fácil. Não quero mais lutar contra mim própria, porque só vai ser mais difícil no fim. E perceber, que não é o que os outros dizem, que torna a coisa certa ou errada – é aquilo que decidirmos que será melhor para nós.

O video que eu vi foi do canal Wengie Vlogs. Ela também os links do blog dela na descrição.


Por isso, se existirem leitores fofinhos por aqui, gostaria imenso de saber se há mais gente que partilha deste dilema ou não! É impossível que eu esteja sozinha no mundo ^^



27/06/2016

Dia 10 - Dor

É ingrato da minha parte pedir que o tempo passe. Se pensar na quantidade de coisas que quero fazer, o melhor seria não passar o tempo. Mas sempre ouvi dizer que o tempo cura, e é isso que eu estou à espera que o tempo faça contigo.

Sinto-me tão mal por me sentir aliviada com a situação, e saber que parte do meu alívio te causa infelicidade. O Nandinho bate à porta constantemente cada vez que olho para ti...Admito que não estou a conseguir dominá-lo, embora eu saiba que parte dos meus pensamentos fazem sentido. Então porque é que para mim isto é um dilema tão grande?

Magoa-me saber que no fim de contas, és mais feliz com alguém que já te fez mal do que com a minha presença só. Eu não te julgo, mas não acho que estejas a ser justa comigo também.

Na minha consulta foi-me dito que eu assumo um papel que não é meu, que eu acho que tu és incapaz de tomar decisões e que por essa mesma razão eu escolho anular os traços da minha personalidade (que em tempos foram muito vincados) para prevenir que alguém se magoe. Eu não opino sobre um certo assunto, porque fico em pânico só de pensar que certa opinião possa influenciar o teu julgamento, e que a consequência disso seja a tua infelicidade. Culpem-me, mas são os traumas do passado com acontecimento semelhantes que me fizeram ficar assim.

Sabes o que ela me disse? Que eu carrego a responsabilidade de toda a gente comigo; que passo a vida a tentar prevenir e evitar confusões e como causa disso, eu vou ficando cada vez mais confusa, vou-me sentido mais culpada, e mais infeliz.

Eu não posso controlar tudo, eu não tenho esse poder, mas eu não sei fazer as coisas de outra forma. Admito que a dor dos outros à minha volta me causa desconforto também, porque automaticamente, a culpa vai ser minha. Porque será que isto é assim? Desde quando é que eu passei a assumir as dores do mundo, para não sofrer com o vosso eventual sofrimento? O que é que falhou no meu processo de cozedura e amadurecimento?

Quando eu saí do consultório, as palavras que me disseram fizeram todo o sentido...ainda fazem. Mas o Nandinho é mais forte, e eu não sou excepção a utilizar a “saída mais fácil”.

É isso que eu faço, e a tua indiferença causa-me tanta tristeza, que sou capaz de abdicar de tudo o que eu sei que é correcto, para saber que estás bem.  Sou capaz de esquecer esta guerra e optar pelo caminho mais fácil, se for isso que tu quiseres fazer. Porque para já não consigo pensar de outra forma, porque eu sei que olhas para mim e me culpas inconscientemente por este fracasso, mesmo que não o digas. Porque não sei que atitude deva ter à tua volta, e sinto que não me queres por perto também.


A vida é curta, e provavelmente um dia eu vou-me arrepender de ter dado ouvidos ao “diabinho”, mas se tiver sido por uma boa causa, então valeu a pena.

25/06/2016

Fora de Âmbito - As minhas teorias musicais: Primeiro

Se alguém se deu ao trabalho de ler o meu perfil, eu disse que também estaria na disposição de fazer uma reviewzitas de coisas que gosto de ouvir, caso estivesse na disposição.

Como o meu blog, está a tornar-se um cantinho depressivo, decidi escrever sobre as minhas opções musicais. Devo referir, que isto é um bocadinho complicado para mim, porque tenho um enoooormeee medo da rejeição (por coisas passadas, lá está). Mas sou perfeitamente capaz de entender que nem toda a gente gosta da mesma coisa, e respeitar. Desde que me respeitem a mim também...

Pois, vou estrear isto com o homem da minha vida, em todos os sentidos! Quem me conhece bem, sabe que eu sou um bocadinho fantasiosa, e tenho sempre tendência para achar piada ao que mais ninguém acha. Mas não se preocupem, eu não sofro da “doença de fã”, e quando eu digo que é o “homem da minha vida” estou a exagerar, e trata-se apenas de uma admiração saudável.

Este moço chama-se KyuHyun e faz parte da banda pop sul-coreana Super Junior. “Se ele faz parte duma banda, porque não falas da banda então, moça?” Pois bem, este moço também já lançou alguns álbuns a solo, e embora eu seja super fã da banda no geral, este foi sempre o que me chamou mais atenção, não pelo visual, mas sim pela sua voz.

Admito que fico louca com qualquer homem que cante bem e que tenha uma voz maravilhosa, e este moço não é excepção. Assim que comecei a ouvir Super Junior (na minha descoberta do K-Pop), a voz dele foi sempre a que mais se destacou em todas as músicas.

Não sendo eu fã, de todas as músicas que têm como single, como por exemplo Mr. Simple (primeira música que ouvi deles), dou por mim a admitir “ok, isto é demasiado enlatado para o meu gosto. Mas pelo menos há aqui um elemento que tem boa voz e canta bem”. O eu não gostar de alguma coisa ao início, é sempre a minha desgraça no final.

Por mera curiosidade, fui ouvindo mais músicas, e admito que acabei por ficar fã (primeiro estranha-se e depois entranha-se) e fiquei também algo surpreendida por perceber que têm músicas lindas nos álbuns, e que não são a típica banda que têm 3 ou 4 músicas porreiras e depois o resto não presta. Devo dizer, que gosto até mais de todas as outras músicas deles que não são singles, até.

Voltando ao que interessa. Este moço tem uma voz inigualável, nunca ouvi voz na minha vida que me fizesse o mesmo efeito que faz a dele, cada vez que o oiço. Lembro-me sempre de algo  incrivelmente doce e quente, e penso sempre que ele tem uma aura que grita Outono, que é sem dúvida a minha estação favorita.

Foi o último membro a integrar a banda, é o mais novo e não foi muito bem recebido no início. Ninguém esperava que ele se tornasse na “estrela” que se tornou. Digamos que entre apresentador de um programa, ou como actor de musical, o moço subiu na vida!

Embora a banda tenha perdido um pouco da popularidade que tinha, devido às novas bandas (com elementos mais jovens) que vão aparecendo, para mim continuam a ser sem dúvida a minha banda favorita, pois são completos e versáteis, em várias áreas. 

Sou uma fã de baladas no armário (tenho uma reputação a manter), e KyuHyun é o Princípe das Baladas, na Coréia do Sul!

Eu não entendo nada de música, a nível técnico. Apenas sei o que os meus ouvidos gostam ou não. A voz dele acalma, e cura muita coisa. Devo dizer que já chorei muitas vezes a ouvir as músicas dele, sem sequer entender uma única palavra do que ele diz.

Para rematar, não só tem uma voz maravilhosa, como é um bom falante, tem um imenso sentido de humor, e é brutalmente honesto coisa que se aprecia nos dias de hoje. Não é por acaso que o chamam de evil maknae, ou traduzindo da melhor forma, o caçula malvado.

Esta review não é imparcial de qualquer forma, porque volto a repetir, o moço é o homem da minha vida!

Se estiverem curiosos, e conseguirem ultrapassar o facto de não ser cantado em inglês, as minhas sugestões do KyuHyun a solo são: At Gwanghwamun e EternalSunshine. Se quiserem conhecer Super Junior, recomendo Let’s not, Bittersweet, This is Love e Raining spellfor love.

Os títulos estão todos em inglês, porque não falo coreano (óbvio) e não faço ideia de como se chamam os títulos das músicas originalmente (sorry xD).

Quem quiser dar uma espreitadela, está à vontade!




*Beijinhos*

Dia 9 - Egoísmo e Sentimento de Culpa

Adorava ser egoísta. A sério. Pode ser visto por muitos como uma má característica, mas permite-nos fazer e dizer o que realmente queremos, sem o típico sentimento de culpa.

Sentimento de culpa é o meu nome do meio. Qualquer coisa que eu diga, faça que possa magoar alguém (mesmo sem ser propositado) o sentimento de culpa aparece sempre.

Quando eu penso que sou alvo de egoísmo a toda a hora, acho que deveria mudar este ponto da minha personalidade. Mas porque é que isto não é fácil de fazer? Porque é que as pessoas à minha volta tomam decisões que me influenciam, e não pensam sequer nas consequências que isso me poderá trazer no futuro, ou neste caso, neste preciso momento? Adorava ser egoísta.

Eu tenho tanta vontade de dizer o que eu realmente quero, às vezes. Mas sou sempre assombrada pelo “politicamente correcto”, aquele senhor que só traz problemas e dificulta a nossa vida. Já estou como a música: “Eu queria dizer que não, mas não consigo...”

Não consigo porque a Joaquina vai sofrer; Não consigo porque o Edmundo vai ficar chateado; Não consigo porque tenho medo que toda a gente me culpe a seguir... (Devo referir que foram nomes escolhidos ao acaso)

Mas até que ponto isto é nocivo para qualquer pessoa? Não consigo descrever a carga emocional que sobrecarrega alguém que vive assim. Só relativamente há pouco tempo, me apercebi que essa pessoa sou eu.

Costumava ser uma pessoa tão firme nas minhas opiniões, tão bem decidida no que queria ou não fazer, no que seria melhor para mim...O que é que me aconteceu?

Dou por mim a não comentar tanto um certo assunto, porque provavelmente a Joaquina não vai compreender o que vou dizer e não vai gostar; Não vou dizer se eu quero na realidade comer o último pedaço de bolo porque o Joaquim vai querer decerteza.

Se isto for utilizado com conta, peso e medida, é uma boa característica...somos pessoas que tomamos em consideração os sentimentos e bem-estar dos outros. Mas quando nos anulamos, e chegamos à conclusão que estas decisões tomadas não nos trazem felicidade, a coisa é pior.

Chego à conclusão que me anulo para evitar confusões. Porque estou mais do que traumatizada com situações em que eu falei, e não foi bem compreendido e resultou em mais uma coisa mal resolvida.  Eu estava certa...Mesmo quando abri a boca em tom de brincadeira, gerou uma grande crise. E é engraçado que é sempre com a mesma pessoa.

Tudo acontece na minha vida como uma decisão e a sua consequência. Eu decidi falar naquele momento; correu mal e mesmo quando confrontada com a situação, a minha opinião não foi entendida ou de todo bem recebida. Consequência – Sentimento de culpa, no seu melhor.

Eu tenho plena consciência que não fiz nada de mal. No entanto, eu obrigo-me a achar que eu fiz alguma coisa de mal, que eu tenho de pedir desculpa. Talvez, por ter sido a mais nova da família durante algum tempo, e tudo o que dizia (não da melhor forma, admito) caía sobre mim, mesmo eu até tendo razão.

Desta vez eu fui um bocadinho egoísta, e decidi que não ia dar o braço a torcer. Não tenho de o fazer...E disse com todas as letras o que eu queria que fosse feito.

O sentimento de culpa, ou como eu gosto de chamar: o Nandinho, está a tentar há pelo menos 2 horas dar o ar de sua graça.

“Não devias ter dito isto”; “Ele agora vai embora e foi por tua culpa”; “Foste tu que provocaste isto”; “Devias retirar tudo o que disseste e pedir desculpa mesmo que não tenhas feito nada de mal”; “Pensa que mais alguém vai ficar infeliz com a decisão que ele tomou, por causa do que tu lhe disseste”.

Eu vou fazer de tudo, para não ouvir o Nandinho. Ele fala de mais, e na realidade ele não manda em mim. O Nandinho já teve tempo de antena que chegue, durante estes 10 anos que se passaram.

Eu vou pegar nisto e tornar realidade, e o Nandinho não me vai impedir.

“Eu não quero que cá estejas, porque és uma presença nociva para mim. Porque não acredito nas tuas boas intenções; porque calculas tudo ao máximo para o que te convém; Tiveste muitas oportunidades para sair e estás a usar-me como desculpa para ser mais fácil para ti. Eu não consigo conversar e chegar a nenhuma conclusão, com uma pessoa pequenina de espírito que só sabe ver e opinar as vidas dos outros, mas não é humilde o suficiente para admitir os seus defeitos nem as opiniões diferentes das outras pessoas. Porque todas as outras palavras que te digo, tu usas da maneira que te convém, e ironizas. Só mostra a pessoa pobre que és. “

“Mas eu perdoo-te pela tua estupidez e falta de carácter...Afinal não podemos todos ser boas pessoas. E nunca me vou esquecer das coisas boas que também passámos, nem das coisas que fizeste por mim (e que eu prefiro pensar que foram por boa vontade e não para agradar a alguém). “

Por agora, escolhi ser egoísta e fazer e dizer o que quero. Estas palavras irão ser um mantra na minha cabeça, até eu acreditar nelas e não vou deixar que sejas importante o suficiente para eu pensar em ti.

Afinal o rancor e a tristeza fazem rugas, e tal como tu o disseste – Eu sou a superestrela da família!

16/06/2016

Dia 8 - Mindfulness Meditação Formal e Informal

Para fugirmos um bocadinho à depressão constante que têm sido os meus últimos posts, venho dar um update do meu processo de meditação.

Como falei em posts anteriores, a minha psicóloga trabalha com o Mindfulness que são técnicas de meditação; Isto serve para obrigar o cérebro a focar uns minutos que seja no momento presente, e desligar um bocadinho o piloto automático, coisa que o nosso cérebro é craque a fazer, naturalmente.

Pois isto é tudo muito engraçado e bastante útil, na teoria, mas na prática, não é assim tãooooooo fácil quanto isso de executar. Se todos forem como eu, que não paro de pensar um segundo, ("Será que a galinha veio primeiro ou foi o ovo?"; Porque é que as minhas unhas não têm todos o mesmo formato?"; "Será que o meu peluche tem vida própria quando durmo de noite?") irá ser bastante difícil o processo de concentração no aqui e agora e evitar ligar aos pensamentos cheios de vida própria, que a cabeça vai enviando.

No início, confesso que não entendi bem como deveria correr o exercício. Pensei que me tivesse de obrigar a não pensar (o que é impossível), e dava por mim numa luta constante comigo própria e com muita pouca vontade de repetir os exercícios. 

Por alguma razão, parte do exercício, passa por sentir e focar apenas a nossa atenção nas diversas partes do corpo; Sentir se temos os pés frios ou quentes, sentir as mãos, focar a atenção na respiração, em como o diafragma sobe e desce à medida que respiramos. Isto é suposto, obrigar a cabeça a sair um bocadinho do piloto automático, e focar a atenção em sensações que provavelmente estão sempre lá, mas que a cabeça não detecta porque sabe fazer tudo sozinha.

O piloto automático é uma grande função do nosso cérebro: consigo lavar a loiça, lavar os dentes, caminhar, tomar banho, etc; E não preciso de pensar que tenho de assentar a ponta dos dedos dos pés no chão, e de seguida a planta do pé para conseguir dar então um passo. É excelente de facto...mas isto dá espaço para que as queridas horas de pensar na morte da bezerra sejam super frequentes, e muitas das vezes chegamos tristes dum passeio que demos no parque porque em vez de prestarmos atenção à paisagem envolvente, decidimos pensar que o Pancrácio (nome escolhido totalmente ao acaso) afinal não quer nada connosco, e que vamos ser solteiras para sempre.

Como sou uma pessoa super problemática, comecei a arranjar problemas com a meditação formal também: não tenho vontade de dispensar 30 min do meu tempo para tentar focar a atenção nos meus pés ou respiração, estou constantemente a pensar que ainda tenho imensa coisa para fazer e estou a perder tempo aqui, e uma data de coisas que não fazem mesmo qualquer sentido. Pensei que isto fosse um problema só meu, mas a minha psicóloga garantiu-me que não! (YES afinal sou normal) A maioria das pessoas não gosta de facto da meditação formal, porque obriga o cérebro a estar sossegadinho no canto dele, sem lhe darmos atenção nenhuma! E então ele vai tentar distrair, alertar e fazer de TUDO para retomar-mos as nossas actividades normais. O cérebro é nestes casos, uma criança mimada!

Experimentámos então, a meditação informal. Isto passa por focarmos a atenção no momento presente também, mas com algo palpável. Ou seja, um objecto, um alimento, ou até mesmo com as tarefas do dia-a-dia. 

Foi muito mais fácil desligar-me dos meus pensamentos, e prestar atenção. Eu fiz este exercício com uma uva, que me foi posta na mão sem eu saber o que era. E de seguida comecei só por sentir a textura na mão, a temperatura, o peso (tudo de olhos fechados). Depois pude cheirar também, e no fim abri os olhos e pude também observar os detalhes visuais: a cor, as imperfeições, a maneira como a luz bate e modifica a cor. Por fim, comemos a uva, mas muito detalhadamente. Sentimos o sabor, a textura, a maneira como o interior da uva nos deixa a língua ou os dentes, e até mesmo o barulho crocante que faz a casca quando mastigamos. Em todos os momentos, o cérebro vai arranjar teorias para o que estamos a sentir, vai julgar e vai constantemente dizer "Tu estás a fazer isto mal"...Mas deixe-mo-lo brincar à vontade, reconhecemos que estes pensamentos estão lá (eu chamo-os de Horácio ou Inácio) e focamos novamente a atenção. É perfeitamente normal isto acontecer, e não estamos a fazer nada de mal!

É um exercício super engraçado, e pode ser feito com qualquer coisa e por qualquer pessoa, até crianças. O intuito não se trata de desligar o cérebro: isso é impossível, pois o trabalho dele é produzir pensamentos e não conseguimos impedir que ele o faça. Trata-se sim, de observarmos detalhes e desligarmos um bocadinho a pressa que a nossa cabeça tem de estarmos a pensar o que vamos fazer para o jantar logo, quando podemos apreciar a paisagem do caminho até casa, naquele preciso momento.

Desafio toda a gente que quiser experimentar - experimentem com um alimento que não gostem por exemplo, pois o cérebro vai-se focar muito mais em certos detalhes e vai ser mais fácil focar a atenção. Ou então nas mais variadas tarefas, como lavar a loiça, ou até mesmo lavar os dentes com a mão não dominante - esta é bastante engraçada porque a nossa mão não dominante não sabe lavar os dentes sozinha, e isto vai obrigar a focar a nossa atenção na maneira como escovamos e as sensações serão diferentes sempre.

Quem quiser partilhar, está à vontade. Fico curiosa para saber!

*Beijinhos*

10/06/2016

Dia 7 - O que nunca te irei dizer

Tenho tanta coisa a dizer a teu respeito que nem sei por onde começar. Estou à procura de algum alívio de todas as coisas más que me fazes sentir, e vou começar por aqui.

Por alguma infelicidade do destino, temos um elo de ligação inquebrável, mas cada vez mais me convenço que nem sempre é para ser assim, e que se ambos pudéssemos escolher, penso que o faríamos. Não há explicação para a infelicidade que me causas; desde algum tempo que deixei de conseguir lidar com o sentido de humor para aliviar a dor e é cada vez mais difícil conviver contigo e passar por cima de todas as ondas negativas que o meu cérebro teima em chamar-me à atenção.

O teu egoísmo esgota-me, a tua pura falta de interesse leva-me a querer que tenho de ser perfeita para talvez assim prestares atenção ao que eu digo. Aborrece-me a tua falta de sensibilidade. Adorei quando me quiseste alertar para o facto de achares que eu estava meio "perdida" na vida, e que só querias o meu bem. Onde estavas tu na altura em que eu precisava de estabilidade? E nos fim-de-semanas em que não hesitaste em deixar-me com outra pessoa porque surgiu uma festa de aniversário e tu não podias faltar? Nunca me considerei uma pessoa rancorosa, mas contigo acho que sou...

O teu e o meu azar é sem dúvida a minha boa memória. Eu lembro-me de tudo como se fosse ontem, e é graças às tuas acções que eu me encontro na posição perdida onde estou hoje. A minha necessidade de controlo sobre tudo, porque eu assumi que se não podia contar contigo então é só comigo própria que posso contar; o meu medo de relações: se soubesses a quantidade de homens que já passaram na minha vida e que foram inconscientemente magoados, porque para mim é apenas justo eles receberem a mesma indiferença de mim como a que eu recebo de ti.

E sabes o mais engraçado de tudo? Tu nem sequer te apercebes que fazes alguma coisa de mal. 

O facto de eu dormir num quarto no qual tenho de saltar por cima de tudo para chegar às minhas coisas, não te incomoda; não te incomoda que eu durma no sofá porque não consigo dormir no quarto; a tua obsessão para que eu leve todas as minhas coisas, sempre com a finalidade de "podes precisar depois". Será que é mesmo isso? Ou simplesmente não te agrada que estejam lá as minhas coisas, a desequilibrar o teu espaço?

Aquilo que hoje em dia me afronta ainda mais, são as típicas desculpas: não te esqueças que ele veio dum meio complicado e não sabe ser de outra forma, ele pensa imenso em ti. Adoro que ninguém entenda a pressão e o sentimento de culpa que isso coloca em mim. Vocês não me ajudam assim, só pioram. 

Eu escolhi não aceitar essa desculpa, porque simplesmente não estou a exigir nada que não seja meu por direito. 

Sugas-me a energia, e com todas as certezas te posso dizer que não tenho qualquer vontade de falar contigo quando me ligas. Porque a tua forma de mostrar que te preocupas nunca me parece verdadeira, porque na realidade tu não entendes o que se passa comigo e o impacto que a tua maneira de ser tem  sobre a minha vida. Porque na realidade, eu ainda não aceitei que as coisas são como são e que o que nasce torto, tarde ou nunca se indireta. Porque a esperança é sempre a ultima a morrer.

E enquanto isso, eu ando aqui: eu choro, eu faço verdadeiros dramas na minha cabeça, eu isolo-me e escolho não privar contigo, eu mato-me a pensar como é que hei-de fazer para aprender a lidar com isto perdoar e deixar ir, mas eu não consigo.

E tu vives normalmente, achando que eu estou a passar por uma fase menos boa e que a desculpa para a tua indiferença é que "não sabes como lidar comigo"...essa fase dura há 22 anos da minha vida, que engraçado.

Um dia eu vou ler isto, e achar que foi tudo um exagero da minha parte e sinceramente, mal posso esperar que chegue esse dia, porque estou realmente cansada de lutar uma batalha perdida.

Obrigada por tudo, graças a ti, nunca irei ser 100% "normal".