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03/09/2016

Dia 15 - Solidão

Esta nova fase da minha vida faz-me questionar constantemente esta palavra - Solidão. O que é isto exactamente? Como é que consigo na realidade defini-la?

O meu dia-a-dia resume-se a sair de casa de manhã sozinha, conduzir sozinha até ao me local de trabalho, passar o meu dia de trabalho sozinha tirando as vezes ocasionais em que o meu patrão se senta na minha sala e conversa comigo, e conduzir para casa sozinha novamente. Provavelmente, para a maioria dos mortais isto seria uma situação muito triste, e de causar algum desespero. Mas tendo eu alguma dificuldade na convivência com outros humanos, eu consigo encontrar algum conforto nisto.

No entanto, há momentos em que eu decido pensar demasiado, e chego à conclusão que nem sempre me apetece estar sozinha mas acabo sempre por estar. As minhas vontades nunca estão de acordo com as vontades das pessoas que me podem fazer companhia. E o que é que acontece depois disto? A expectativa inicial, e depois a queda a pique chamada desilusão. Hoje é um destes dias.

Chego à conclusão que passo muito mais tempo a falar virtualmente com pessoas que nunca vou conhecer, e que partilham dos mesmos interesses que eu. Pessoas que sofrem do mesmo problema - falta de interesse em conhecer gente nova; pouca vontade para sair; pessoas que se sentem estranhas com outras pessoas. É isto que eu sou, basicamente. E não tenho problema nenhum com isso. A única coisa que me dificulta o sistema é existir dentro de mim o constante conflito de ideias - Não me apetece estar sozinha, mas também me apetece estar com ninguém.

Admito que são muito poucas as vezes em que isto acontece. Eu sinto-me extremamente acompanhada e conectada virtualmente - é uma sensação de conforto, onde eu encontro pessoas que falam a mesma língua que eu. Mas admito, que em alguns momentos, principalmente nos fins-de-semana sinto-me extremamente sozinha. Ao passo que nas noites, me sabe super bem o silêncio da casa - posso escrever à vontade, meditar, ouvir a minha música e cantar bem alto - durante o dia, custa-me imenso a passar.

Eu passo pelo seguinte processo:
-"Este fim-de-semana estou sozinha! Vai saber-me mesmo bem."
-"Bem, até que nem me apetecia ficar em casa. Mas também me apetece enfrentar o Mundo num local barulhento, em que a maioria das pessoas não são do meu interesse."
-"Vamos tentar ver se há alguém disponível." - Nesta fase eu já planeei como vou fazer, embora não tenha confirmação se dá ou não. Isto é extremamente perigoso, amigos!
-"Pois, afinal não vai dar. Não sei porque é que tento, quando na realidade, o desfecho vai ser aquele que eu já tinha previsto. Somos só eu e a minha cabeça."

E a seguir, vem a típica desilusão, e o típico sentimento de que todos os sacrifícios que eu fiz de tentar sair com alguém embora não me apetecesse; ou não ir a algum lado para não deixar a minha mãe sozinha em casa, não valeram a pena. Na realidade, o final será sempre o mesmo - os outros não irão nunca ter essa consideração por ti; e irás ter sempre tanta gente à tua volta que no fim irás sempre acabar sozinha.

Esta contradição de pensamentos é exaustiva. É dar voltas e voltas à cabeça a tentar perceber que é assim. É perceber que já fizeste o mesmo provavelmente a outras pessoas que estavam dispostas a nunca te deixarem sozinha, e perceber que por quem decidiste fazer sacrifícios é que te "abandona" no fim. 

Não sou capaz de admitir a ninguém que me sinto sozinha, às vezes. Acho que não tenho esse direito quando sou eu que afasto toda a gente, na maioria das vezes. Se calhar é um castigo para mim. Todas as coisas na vida servem como lição, certo? Esta deve ser a minha então.

A contradição de não me querer sentir pressionada, mas sentir que provavelmente tenho de o ser para baixar os muros que construo em volta; Testar toda a gente até ao máximo a ver quem não desiste...isto não é correcto, certo? Mas ainda não aprendi a resolver, nem ninguém o foi capaz de fazer também, por isso eu continuo a achar que não vale a pena. É muito engraçado as manhas que a nossa cabeça aprende a fazer, e como ela acha que isto é super útil, embora nos faça sentir tristeza e ansiedade.

Ao fim de umas horas, posso dizer que aprendo a aceitar completamente o meu destino, que é estar sozinha e que até podia ser pior. Acredito que nem todos viemos ao Mundo para estarmos acompanhados, para casar e ter filhos. Há pessoas que vêm ao Mundo para sofrer, e o sofrimento delas impede o sofrimento de outras pessoas; Eu acredito que o meu propósito é estar presente para quando alguém precisa, querer sempre aquilo que não posso ter, e observar enquanto os outros partem para outra dimensão. É ficar à espera, no mesmo sítio, de ser precisa novamente.

É isto.

03/08/2016

Dia 14 - Ironia



Como já expliquei noutro post, eu tenho alguns problemas na área social e prefiro naturalmente ficar sossegadinha no meu canto, do que enfrentar pessoas.

No entanto, inspirei-me na ironia da minha vida para escrever este pedacinho. Quando eu finalmente ganho coragem para combinar seja o que for, com alguma amiga minha (que na totalidade devem ser umas 4 ou 5) há sempre uma delas que se lembra sempre de cancelar, ou adiar. Sempre! Ou seja, aquilo que eu passei alguns anos da minha adolescência a fazer, de modo a evitar o convívio com pessoas, acontece-me a mim, a toda a hora.

Tudo na minha vida é assim! Quando eu quero sair, alguém me vai dizer que não dá e que fica para outro dia. Quando eu gosto de uma banda nova, a banda está parada naquele momento, saíram elementos, ou então vai-se separar. Quando eu quero muito um set de correctores de cor para o rosto, miraculosamente todas as lojas de cosmética já não vendem. Esta é a minha sina.

Ora expliquem-me agora o que é que digo às almas insistentes que me chateiam constantemente, a dizerem-me "Tens de sair, porque te faz bem"? Pois...quando eu tomo essa iniciativa (porque por mim não havia nada disso) quase nunca ninguém pode.

Automaticamente, o que eu penso é - "Ok, não vou combinar nada nunca mais." Para mim é tão complicado sair do meu espaço e combinar alguma coisa. Vocês sabem a energia despendida por mim para isso? Eu tenho de me mentalizar que vou sair; que vou estar com a pessoa A, B, ou C; que vou encontrar as pessoas X e Y também; que vou ter de provavelmente conduzir para um sítio onde vou ter de me enervar à procura dum lugar para estacionar (conduzir não é das minhas paixões). É uma carga de trabalhos, amigos!

E no fim de tudo isto, dizem-me que não vai dar. Pois...eu acabo por desistir.

Será que como toda a gente sabe que eu não gosto de sair, desmarcam com mais facilidade? Porque "Ah e tal ela não se vai importar"? Ou será que é porque eu tenho de combinar tudo com muiiiitaaaaa antecedência? É que nada destas coisas pode ser combinada para o próprio dia. Eu entro em pânico, mesmo. Como a maioria das pessoas gosta de viver livremente e sem compromissos, acabam por ficar sem vontade quando aparece alguém que tem de ter tudo bem combinado. Esta minha teoria faz todo o sentido! (palmadinha nas costas a mim própria)

Entendam que eu não sou a melhor pessoa para julgar isto, até porque eu já dei tampas a muita gente (por isso é que eu digo que é a minha sina). Mas, apenas só serve para me lembrar que quando for a vossa vez, e não me apetecer, se calhar não vou mesmo fazer nenhum esforço e vou dizer que não. 

Eu gosto de ficar em casa. Quando combino, e fico em casa na mesma, só me dá vontade de não combinar nada nunca mais.

Vou começar a arranjar o meu stock de gatos, porque já percebi que é isso que me espera no futuro: eterna solteirona que não gosta de sair, e gosta de conversar com gatos. Olhem que a ideia já me pareceu mais descabida - agora até me parece bem ;)

Para algum dos meus amigos que leia, e que se identifique - não levem a mal, nem fiquem aborrecidos. Isto é apenas a constatação de uma coisa que acontece bastantes vezes, que eu escrevo com todo o meu bom-humor, sem qualquer mágoa ou má intenção, tá?



06/07/2016

Dia 11 - Introvertidos




Hoje calhei em ver um video no YouTube sobre uma moça a falar sobre como gosta imenso de estar sozinha, ficar em casa mais do que sair, e de como decidiu assumir que é uma introvertida, sem problema nenhum.

Devo dizer que me identifiquei bastante com aquele video e com tudo aquilo que ela disse. Todas as características estão cá. Num post anterior, eu falei sobre a minha dificuldade em socializar e conviver naturalmente com pessoas que não conheço bem, ou situações desconhecidas de todo. Confessei também, que gostava de conseguir mudar essa parte da minha personalidade, por ser mais fácil, porque estar demasiado tempo sozinha também não é saudável, blá blá blá.

Mas até que ponto, é que ser introvertida é assim tão errado quanto isso? Porque é que se uma rapariga ou rapaz adorar sair todas as noites, é visto de maneira completamente normal e aceitável perante a sociedade, mas alguém que antes prefere ficar em casa a ler um livro, jogar, ver séries/filmes já tem automaticamente um problema? Porque é que isto é tão errado e visto de maneiras completamente diferentes?

Durante a minha adolescência e na passagem para a chamada idade adulta, deparei-me exactamente com este problema: Eu não gostava muito de sair, gostava mais de passar tempo com a minha cabeça do que conversar com outras pessoas, passava muito mais tempo a desenvolver ideias ou a escrever do que propriamente a conversar, e isolava-me muito facilmente com apenas um grupo de 3 ou 4 pessoas amigas. Isto teve tendência a piorar quando saí da escola e deixei de estudar: não era tão fácil conhecer outras pessoas, as pessoas que iam aparecendo não partilhavam dos mesmos interesses, e sim, a distância da minha residência ao local “onde tudo acontecia” dificultava também este processo.

Posso dizer que durante bastante tempo, esta minha faceta incomodava-me um pouco. Não entendia o porquê de ter tão pouca vontade de conviver, a falta de interesse por certas pessoas, a minha dificuldade em conversar com pessoas que não tinham mesmo nada a ver comigo e por último, não conseguir passar por cima destas barreiras por umas horas de diversão.

Para mim, nada disto era divertido; era cansativo. Ainda hoje é. Eu fico animada quando finalmente tenho um convite para sair, ou arranjo alguém para sair comigo...Mas ao fim dumas horas, eu já só vejo a hora de chegar a casa, vestir o meu pijama e ficar mais uma vez no meu mundo, escrever as minhas histórias ou descobrir mais uns quantos artistas para a minha colecção. Todo o processo de socialização tira-me toda a pouca energia que ainda me resta.

Se olharmos para isto de maneira objectiva, não há nada de errado com isso. Ok, eu aceito que sou uma pessoa que tenho tendência a isolar-me, não sou de todo uma borboleta social com feitio capaz de me dar com tudo e todos, e gosto de passar mais tempo em casa a ler do que numa festa ou café barulhentos. Ok, e então? Qual é realmente o problema disto? Isto será mesmo um problema grave, ou simplesmente eu e todos os introvertidos encaramos desta forma porque a sociedade (família, amigos, pessoas no geral à nossa volta) dizem-nos que “Ah e tal tu és jovem e não quereres sair não é normal”? Será que isto é devido a algum “medo” da rejeição como falei que sentia, anteriormente, ou trata-se apenas de uma preferência pessoal?

Num momento de lucidez, eu vou apostar que é a segunda. Como é que a sociedade sabe se eu sou mais feliz imensamente rodeada de pessoas ou sozinha no meu canto? Eu gosto de sair e de conviver. Quem não me conhece bem, até acha que eu sou super sociável. Mas eu gosto tanto de estar sossegada em casa. E quando digo sossegada, não necessita de ser propriamente sozinha: eu gosto de estar acompanhada. Mas será sempre com alguém com quem me sinto confortável  e que irá saber respeitar que nem todos nascemos para sermos extrovertidos e sociáveis.

Sou uma introvertida, não pretendo mudar isso no futuro, e não há nada de errado comigo. O passo para a cura, será sempre a aceitação. E a partir do momento, que todos olhemos para isto com esta intenção, o resto será muito mais fácil. Não quero mais lutar contra mim própria, porque só vai ser mais difícil no fim. E perceber, que não é o que os outros dizem, que torna a coisa certa ou errada – é aquilo que decidirmos que será melhor para nós.

O video que eu vi foi do canal Wengie Vlogs. Ela também os links do blog dela na descrição.


Por isso, se existirem leitores fofinhos por aqui, gostaria imenso de saber se há mais gente que partilha deste dilema ou não! É impossível que eu esteja sozinha no mundo ^^