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16/07/2017

Dia 24 - Os Conselheiros


O problema de partilharmos as nossas aspirações e objectivos, é que toda a gente irá sempre ter imensas opiniões para dar.

Uma das coisas que eu mais adoro é a imposição dessas mesmas opiniões. Conselhos...o que queiram chamar. Infelizmente, não somos todos iguais; não nascemos todos com a garra de subir ou vencer. Nem todos somos estrelas do social. Nem todos desenvolvemos em nós a aptidão de nos desdobrarmos em qualquer situação, e ainda assim sair no topo.

E nem todos queremos.

Analisando de longe, a hipótese de construir uma coisa só minha ou ser reconhecida por isso é de facto muito risonha. Mas toda a gente se esquece dos passos até lá. E ninguém se preocupa se é de facto para esse lado que a tua balança pesa mais.

Colocar de lado a minha ética e fazer de conta que em mim existem certas características, por uns euros a mais na minha conta deixa-me bastante desconfortável. Se eu gostasse de negócio, provavelmente era isso que teria estudado, “porque infelizmente o Mundo funciona assim.”

Mas eu não tenho de ser como o Mundo só porque o Mundo assim quer.

O ideal que todas as outras pessoas idealizam para ti pode não ser aquele que realmente te serve. E eu até posso estar perdida nos meus objectivos...mas sei que enfiar-me no mundo do negócio e da ginástica mental de prender o cliente em volta do meu dedo mindinho não será. Por muito que toda a gente ache que eu até tinha capacidades para o fazer.

Porque é que toda a gente assume que eu tenho de ajudar? Alguém me perguntou se eu queria ou não?

Porque é que no meio de todas as coisas que eu tenho para resolver e endireitar vocês teimam em mandar-me mais esta “porque senão for assim no início, não se vai conseguir...por isso precisamos mesmo que tu ajudes.”?

O vosso egoísmo nem dá lugar ao meu para se manifestar. E esta é a grande mágoa que eu tenho no Ser Humano: no fim do dia tudo o que importa és tu e as tuas concretizações. O que os outros querem não é importante, mesmo que eu tenha de te usar para conseguir o que eu quero.

Agradeço do fundo do coração a vossa tentativa de impulsionamento e abertura de horizontes, mas não será pela vossa insistência e lavagem cerebral que eu irei lá chegar. Eu demorei 6 anos da minha vida para finalmente decidir que queria prosseguir os meus estudos...acham mesmo que serão em meses e semanas que vou optar por uma das vossas sugestões?

Eu sou como Deus - o meu tempo não é o vosso.

03/05/2017

Dia 23 - Querida Patroa...

Querida Patroa,

Quis escrever-te esta carta, porque palavras não seriam suficientes para descrever como os meus dias se tornam uma merda na tua presença. Achei que precisasses de saber...

O facto de um ser desprezível como tu ter chegado onde está não me surpreende. Já não tenho esperança na raça humana, mesmo.

A semana que estiveste fora, foi suficiente para confirmar as minhas suspeitas: quem torna este local razoável, num emprego insuportável és tu! Com a tua burrice desmesurada, com as tuas "questões" disfarçadas de acusações, com a tua grande capacidade de meteres o bedelho em tudo o que não te diz respeito... É assim, que se promove a desmotivação, querida. É devido a pessoas como tu que questiono vezes sem conta, a minha sanidade mental.

Mas tu na realidade até és uma querida e uma fofinha. Principalmente, quando entras no computador de uma empresa da qual tu até já não fazes parte (por alguma razão, o teu próprio marido não te quis mais aqui a dar as cartas), apenas e somente para "acertares as tuas contas". Isso, e de vez em quando o rato lá escorrega e toca de ver os e-mails para me questionares no dia seguinte o que é que eu andei a fazer.

Achas que é arrogância minha, não querer ser vigiada a cada passo que dou? No início até pensei que pudesse ser mais algum problema de autoridade meu. Mas, "questões" como as tuas eu detecto-as à distância. Aquele pôr em causa delicioso, que todos vocês raça hierárquica superior, gostam de fazer.

E eu até sei porquê! Tendo em conta a vossa incompetência, e inevitáveis escorregões - principalmente aqueles que acontecem no Home Banking (sabe-se lá porquê senhor!) - assumem automaticamente que nós da Plebe iremos fazer o mesmo.

Mas olha querida, nem que caísse na minha mão eu o iria fazer. Parece-me óbvio que os nossos desentendimentos, sejam porque vimos de castas diferentes. Até se pode sair da favela, mas a favela nunca sai de ti amiga.

A nossa paz podre resulta da minha cultura e sabedoria muito superior à tua, e do meu pensamento objectivo e racional perante as minhas obrigações da vida - há quem não se importe de ser escrava. 

E acredita...pior que tu existe! Eu sei disso, eu já lá estive! Por isso, embora pense todos os dias em ir ao curandeiro para te dar assim uma caganeira daquelas que não te levantas da sanita, penso que ainda tens muito que aterrorizar para chegar aos pés de quem é Mestre na arte de aterrorizar. Isso e umas aulas de Inglês e Português - pelo menos só para disfarçar a tua falta de inteligência.

Espero que esta carta não tenha palavreado muito caro - eu esforço-me todos os dias para descer ao teu nível, mas confesso que não me é natural. Coisas da vida!

Talvez ta dê, quando me despedir! Olha que já esteve mais longe...há que ter fé!

Com muito desprezo da tua estimada discípula,

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24/01/2017

Dia 22 - Decisões, decisões, decisões



Primeiro post de 2017...yeeeahhh para mim, que finalmente arranjei coragem para expor por palavras a confusão habitual em que se encontra a minha cabeça.

No passado sempre me tive como uma pessoa decidida. "Eu faço e aconteço, porque é isto que quero e nada nem ninguém me vai impedir." Devaneios de uma adolescente estúpida...fazer o quê! Mas agora que envelheci (a minha idade mental é na realidade de 60 anos) não consigo tomar decisão nenhuma.

As ideias explodem dentro da minha cabeça tipo fogo de artifício: quando acordo a meio da noite, quando vou a conduzir, quando estou no banho, quando vou ao correio. E eu não as consigo calar, nem lidar com elas e muito menos tomar uma decisão.

O que é que eu faço à minha vida? Tudo neste mundo é temporário, mas eu e a minha cabeça dura escolhemos viver tudo com a mesma intensidade de um doente terminal. Isto até podia ser bom se eu passasse a vida a viajar, fazer desportos radicais, etc. Mas quando se trata apenas de escolher ou não permanecer no mesmo local de trabalho, não soa assim tão bem nem tão divertido. É uma "dor no traseiro" - como dizem os meus amigos Ingleses, ou Americanos...ou mesmo qualquer outro país no mundo que fale Inglês (não à discriminação!).

Estou demasiado preocupada com "as vozes da razão" - mais conhecidas como familiares próximos, cheios de experiência - e com os "conselhos" que me dão a toda a hora. Basicamente, o ideal seria mesmo continuar a viver infeliz como uma senhora de 60 anos, que não vai ter mais hipótese nenhuma de recomeçar na vida (lá está!), porque isso é que é correcto e é seguro, a 100%.

Era tudo tão mais fácil se não tivesse ambição nenhuma. Faço ou não faço? Digo ou não digo? Escolho ou não escolho? Recomeço ou não recomeço?

Estou mesmo a ponderar enviar o meu dilema para a revista Maria! Às vezes no meio da criatividade, encontram-se as melhores respostas. Já estou por tudo!

Ou uma votação! Existe alguma forma de pedir à ajuda do público e votarem por mim? Cabeças livres, pensantes e práticas procuram-se!

Acho que ainda vou vender os meus serviços nesse sentido. "Está cansado de se preocupar, ou de tentar pensar em soluções para os seus problemas? Não perca mais tempo - a Maria Joaquina faz isso por si - pela modesta quantia de 5€ o pensamento! Ligue já e marque a sua consulta!"

Entende-se pelo meu desespero que estou a um passo de me vender no OLX assim...o mundo está tão virado do avesso, se calhar até tem sucesso. O melhor é patentear isto!

Acho que por agora é tudo. Até gostaria de ter feito uma analepse ao ano de 2016, mas acho que já vou tarde e tenho andado tãooo cheia de motivação, que nem escrever me apetece. 

O ideal é ficar enfiada na cama mesmo...a ver séries, e pronto.

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29/12/2016

Dia 21 - Errar

Odeio errar. Odeio mesmo. Sou implacável com os meus erros e com aquilo que não tive a inteligência de emendar ou perceber antes de fazer. Simplesmente não me perdoo por ter feito uma asneira sem cabimento.

Infelizmente errei. E errei mesmo. Daqueles erros que causam prejuízos. Felizmente até tem solução, porque só para a morte é que não há solução. Mas, durante dias e dias vai pairar sobre a minha cabeça a ideia de "Tu podias ter feito de outra maneira e não fizeste. Até está resolvido, mas erraste na mesma."

Os próximos dias vão ser passados assim, quando acordar, quando me deitar e quando tenho a cabeça demasiado livre para deixar a minha mente à solta para inventar o que quiser. Dias de desgaste se avizinham.

O mais importante nisto tudo, é que quando a poeira assenta, e eu respiro fundo e tomo consciência do que aconteceu, mais percebo que eu não posso culpar ninguém sem ser a mim própria.

É uma verdade que tudo o que está à nossa volta nos influencia, e nos motiva ou não. Nos induze em erro. Mas eu tenho a opção de questionar, de rever e de reflectir. E eu escolhi não o fazer. Todas as escolhas imprudentes que fazemos têm sempre as suas consequências.

Se estou desmotivada; se acho que não me explicaram bem alguma coisa, e se tenho dúvidas, só a mim me posso culpar. Só eu posso escolher mudar isso. 

Não vale a pena tentar passar a bola para o próximo quando a responsabilidade é toda nossa. E se calhar parte da nossa indignação, quando somos confrontados com uma chamada de atenção, é mesmo porque bem lá no fundo sabemos que é verdade e custa admitir. A verdade dói sempre, mas é necessária.

Vou ter de passar pela fase da aceitação. Preciso de aceitar que errei. Preciso de aceitar que me descuidei porque não estou motivada o suficiente. Preciso de aceitar que nem sempre faço todas as perguntas que gostaria de fazer, porque tenho medo da resposta que vou ter do outro lado. Preciso de aceitar que até reconheço que tenho de ser mais humilde e aceitar o que faço de mal.

Não há mais ninguém a quem culpar sem ser eu. E vou ter de aprender a viver com isso. Esta será apenas a primeira de muitas durante toda a minha vida.

Irei procurar mais uma vez, aquilo que me completa. Mas, por muito que a minha vontade seja enfiar a cabeça na areia tipo avestruz, não o vou fazer. Vai doer, mas vou até ao fim e até onde não der mais.

Comprometo-me a ouvir, a perguntar, e a dar o meu melhor, mesmo que não queira. É a única forma de curar a ferida aberta pelo erro que cometemos.

Hoje é só mais um dia, de uma semana, de um mês e de um ano. Tudo tem solução e amanhã será melhor, até encontrar melhor.

Errar é Humano, mas nem sempre convém.

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14/12/2016

Dia 19 - Vontade

Vontade.

Vontade de ser diferente, mas querer ser igual.

Vontade de me destacar, mas querer fazer parte.

Vontade de gritar, mas sorrio e aceno.

Vontade de me exprimir, mas calo e tolero.

Vontade de arriscar, mas fico em casa.

Vontade de ir embora, mas acabo por ficar.

Vontade de dizer que não, mas acabo por dizer que sim.

Vontade de dizer que sim, mas acabo por dizer que não.

Vontade de não pensar demasiado, mas não consigo dormir.

Vontade de respirar, mas acabo por desistir.

Vontade de ter aquilo que não posso.

Vontade de ter aquilo que é inatingível.

Posso ter aquilo que está ao meu alcance, mas não tenho vontade.

Vontade de comer, mas agora não posso.

Podia comer agora, mas já não tenho vontade.

Vontade de ter vontade para fazer a vontade a quem tem vontade.

Tenho tudo ao meu alcance para o poder fazer, mas não tenho vontade.

A vontade que tinha no início, já se foi.

A pressão de fazer a vontade, é maior que a vontade de ceder à tentação.


Por isso, acabo por dizer não, deixar tudo como está e não fazer a vontade.

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13/09/2016

Dia 16 - Problemas de autoridade

Confesso que tenho algum problema em receber ordens e em ser contrariada. Isto aplica-se mais no meu dia-a-dia de trabalho, e torna-se mais tolerável a nível pessoal. Detesto receber ordens, principalmente quando não concordo com elas, que só por acaso acontece 99,9999999% das vezes. 

Os pêlos do braço eriçam-se, uma onda de calor dá-se e após um respirar bem fundo e um tentar dizer "o meu ponto de vista e ser bem educada", as minhas mãos começam a tremer de seguida. Isto acontece, SEMPRE que há algum confronto devido a uma ordem que a meu ver não tem razão de ser.

Não ajuda o facto de eu ter uma visão de como as coisas devem de ser feitas, muito particular. Piora um pouco quando me "mandam" fazer alguma coisa, mas não se explicam bem, ou simplesmente são resistentes à ideia de mudança porque "Ah e tal é assim que eu faço há anos, e é assim que você tem de fazer porque eu não me vou adaptar à sua maneira." Então porque é me pediu, Senhor? Quando pedimos aos outros para fazerem alguma coisa por nós, e não somos específicos no que queremos, as probabilidades de acontecer algo deste género são muitas! 

Além disso, quando não se trabalha sozinho, há que encontrar este meio-termo - vão duas pessoas desempenhar esta função, sendo que eu estou lá há menos tempo e ainda estou a adaptar-me...então vamos tornar isto o mais simples possível para mim mas sem atrapalhá-lo a si e aos seus rituais do ano de 1555. Acho que isto não é difícil de perceber...

Pois, mas eu esqueço-me que as pessoas com as aptidões para as matemáticas não entendem bem o Português (sem querer ofender ninguém, atenção). E gera-se um problema..Posso dizer que nesta tarde, devo ter revirado os olhos 355 vezes por minuto, ter imaginado cenários catastróficos do que iria acontecer ao meu patrão caso ele continuasse a pôr em causa os meus métodos, e respirado fundo pelo menos umas 50 vezes por segundo, de forma a evitar alguma saída menos infeliz.

Isto é uma má característica da minha personalidade, que tento esconder o melhor que consigo, porque não é vista como uma "teimosia" de tentar melhorar ou opinar sobre alguma coisa, mas sim como um desafio à autoridade. E tendo em conta que eu só "falo" bem quando escrevo, é bastante complicado gerir isto.

Porque é que as pessoas quando "mandam" ficam completamente cegas, surdas e mudas a outras opiniões? A mudança é positiva e é importante para a haver evolução. Se eu não der uma oportunidade, nunca vou chegar à conclusão que se fizer Ctrl+L numa folha de Excel vou conseguir encontrar com mais rapidez, aquilo que quero. Mas quem não gosta de mudança e se esconde atrás da autoridade, prefere continuar a percorrer o Excel até encontrar o que procura. Não se lembram sequer do tempo que se perde e que poderiam estar a desenvolver outras coisas. 

Há outra coisa que bate de frente aqui - o factor idade/experiência. Enquanto se é "novo" e sem tanta experiência, nada é levado a sério. Nem sempre o "Ah e tal eu trabalhei 30 anos na empresa do Manuel Joaquim", significa saber fazer as coisas melhor do que uma pessoa mais nova. Principalmente, quando não se procura evoluir ou saber mais. É este tipo de autoridade que me faz morder a língua e respirar fundo para não roçar a má educação.

Não se trata de uma questão de arrogância - quando as ideias das pessoas mais experientes fazem sentido e ajudam, eu sou a primeira a fazer um esforço para adoptar. Mas quando irão complicar ainda mais o trabalho que no futuro até só vou ser eu a desempenhar, não consigo ver a utilidade e objectivo. Acho que se trata apenas de uma questão de afirmação - "Eu estou aqui, eu sei mais, eu mando, e tu vais fazer porque é para isso que te pago."

Fica apenas aqui um desabafo, de um dia menos bom, em que abanei a cabeça muitas vezes por sentir a minha paciência a ser testada. Pode ser que no futuro eu ganhe a qualidade de "comer e calar", pois torna tudo mais fácil e suportável. Até lá, vamos rindo e contando os episódios mais macabros que assisto todos os dias.


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03/09/2016

Dia 15 - Solidão

Esta nova fase da minha vida faz-me questionar constantemente esta palavra - Solidão. O que é isto exactamente? Como é que consigo na realidade defini-la?

O meu dia-a-dia resume-se a sair de casa de manhã sozinha, conduzir sozinha até ao me local de trabalho, passar o meu dia de trabalho sozinha tirando as vezes ocasionais em que o meu patrão se senta na minha sala e conversa comigo, e conduzir para casa sozinha novamente. Provavelmente, para a maioria dos mortais isto seria uma situação muito triste, e de causar algum desespero. Mas tendo eu alguma dificuldade na convivência com outros humanos, eu consigo encontrar algum conforto nisto.

No entanto, há momentos em que eu decido pensar demasiado, e chego à conclusão que nem sempre me apetece estar sozinha mas acabo sempre por estar. As minhas vontades nunca estão de acordo com as vontades das pessoas que me podem fazer companhia. E o que é que acontece depois disto? A expectativa inicial, e depois a queda a pique chamada desilusão. Hoje é um destes dias.

Chego à conclusão que passo muito mais tempo a falar virtualmente com pessoas que nunca vou conhecer, e que partilham dos mesmos interesses que eu. Pessoas que sofrem do mesmo problema - falta de interesse em conhecer gente nova; pouca vontade para sair; pessoas que se sentem estranhas com outras pessoas. É isto que eu sou, basicamente. E não tenho problema nenhum com isso. A única coisa que me dificulta o sistema é existir dentro de mim o constante conflito de ideias - Não me apetece estar sozinha, mas também me apetece estar com ninguém.

Admito que são muito poucas as vezes em que isto acontece. Eu sinto-me extremamente acompanhada e conectada virtualmente - é uma sensação de conforto, onde eu encontro pessoas que falam a mesma língua que eu. Mas admito, que em alguns momentos, principalmente nos fins-de-semana sinto-me extremamente sozinha. Ao passo que nas noites, me sabe super bem o silêncio da casa - posso escrever à vontade, meditar, ouvir a minha música e cantar bem alto - durante o dia, custa-me imenso a passar.

Eu passo pelo seguinte processo:
-"Este fim-de-semana estou sozinha! Vai saber-me mesmo bem."
-"Bem, até que nem me apetecia ficar em casa. Mas também me apetece enfrentar o Mundo num local barulhento, em que a maioria das pessoas não são do meu interesse."
-"Vamos tentar ver se há alguém disponível." - Nesta fase eu já planeei como vou fazer, embora não tenha confirmação se dá ou não. Isto é extremamente perigoso, amigos!
-"Pois, afinal não vai dar. Não sei porque é que tento, quando na realidade, o desfecho vai ser aquele que eu já tinha previsto. Somos só eu e a minha cabeça."

E a seguir, vem a típica desilusão, e o típico sentimento de que todos os sacrifícios que eu fiz de tentar sair com alguém embora não me apetecesse; ou não ir a algum lado para não deixar a minha mãe sozinha em casa, não valeram a pena. Na realidade, o final será sempre o mesmo - os outros não irão nunca ter essa consideração por ti; e irás ter sempre tanta gente à tua volta que no fim irás sempre acabar sozinha.

Esta contradição de pensamentos é exaustiva. É dar voltas e voltas à cabeça a tentar perceber que é assim. É perceber que já fizeste o mesmo provavelmente a outras pessoas que estavam dispostas a nunca te deixarem sozinha, e perceber que por quem decidiste fazer sacrifícios é que te "abandona" no fim. 

Não sou capaz de admitir a ninguém que me sinto sozinha, às vezes. Acho que não tenho esse direito quando sou eu que afasto toda a gente, na maioria das vezes. Se calhar é um castigo para mim. Todas as coisas na vida servem como lição, certo? Esta deve ser a minha então.

A contradição de não me querer sentir pressionada, mas sentir que provavelmente tenho de o ser para baixar os muros que construo em volta; Testar toda a gente até ao máximo a ver quem não desiste...isto não é correcto, certo? Mas ainda não aprendi a resolver, nem ninguém o foi capaz de fazer também, por isso eu continuo a achar que não vale a pena. É muito engraçado as manhas que a nossa cabeça aprende a fazer, e como ela acha que isto é super útil, embora nos faça sentir tristeza e ansiedade.

Ao fim de umas horas, posso dizer que aprendo a aceitar completamente o meu destino, que é estar sozinha e que até podia ser pior. Acredito que nem todos viemos ao Mundo para estarmos acompanhados, para casar e ter filhos. Há pessoas que vêm ao Mundo para sofrer, e o sofrimento delas impede o sofrimento de outras pessoas; Eu acredito que o meu propósito é estar presente para quando alguém precisa, querer sempre aquilo que não posso ter, e observar enquanto os outros partem para outra dimensão. É ficar à espera, no mesmo sítio, de ser precisa novamente.

É isto.

29/05/2016

Dia 6 - Socializar

Para ajudar ainda mais às minhas dificuldades quotidianas, eu também não sou das pessoas mais sociáveis à face da Terra. Costumo dizer que "odeio pessoas" e utilizo isso sempre como desculpa para não ser pressionada a socializar a toda a hora. Tive sempre a sorte, de na minha vida adulta, encontrar sempre pessoas pacientes o suficiente para perceberem esta minha dificuldade, e limitarem-se a rir disso e a não exercer qualquer tipo de pressão sobre mim.

Mas até que ponto a frase "eu odeio pessoas" é mesmo isso? Eu não odeio pessoas...eu sou uma pessoa também. O que eu tenho é dificuldade em lidar com elas, em marcar a minha presença e adaptar-me a qualquer tipo de situação e pessoa.

Em circunstâncias de trabalho, não há nada que me faça impedir qualquer tipo de confronto, desde que eu tenha razão; o meu "eu" profissional é completamente destemido, e não se sente minimamente julgado ou afectado pelas opiniões de terceiros.

Mas quando estamos num grupo de amigos, a coisa muda de figura: o pânico momentâneo, quando me apercebo que vou ter de estar rodeada de imensos "amigos" que irão estar prontos para fazer o primeiro julgamento, que vem sempre com a primeira impressão; a pressão de ser o máximo "interessante " que consiga; a tentativa de adaptação mesmo quando as circunstâncias não me agradam e vão completamente contra os meus princípios. Para mim, é uma situação complicada e que enfrento com muita dificuldade, todas as vezes que há um convite.

Não é normal sentir aquele nervoso todas as vezes que tenho de enfrentar o desconhecido (traduza-se um jantar de uma amiga que leva imensos amigos que não conheço ), ou o alívio sentido quando alguma coisa é desmarcada à última da hora (Oh que pena, lá vou ter de ficar em casa no conforto do meu sofá a ver programas japoneses). Isto é tão extremo que quase nunca consigo comer, fico sempre enjoada com o cheiro da comida e fico em pânico principalmente se houver bebida incluída.

Trata-se de um desgaste emocional muito grande, e que provavelmente me fez impedir de muitas coisas na minha vida.

Porque é que eu sou assim? Desde quando é que me tornei uma pessoa tão cheia de problemas sociais? 

Acho que o facto de ser sempre a pessoa menos "normal" nos meus tempos de estudante ainda tem o mesmo impacto na minha cabeça: eu não me vestia da mesma maneira, eu não gostava das mesmas coisas e mais importante ainda, eu não pensava da mesma maneira. 

No fim, vinha sempre o julgamento, e a minha tentativa de não deixar parecer que de facto eu não tinha nada a ver com quem me rodeava. Nunca tentei mudar nada em mim para ser igual aos outros todos, mas a minha vontade de agradar todos permanece. E quando me apercebo disto: eu faço o mesmo inconscientemente em todas as situações e com todas as pessoas da minha vida. 

Quando penso sozinha, não há assim nada que eu ache que esteja errado comigo...eu aceito-me e gosto da maneira como sou. Então porque é que é tão difícil para mim estar num sítio com pessoas que não conheço? Fico bastante insegura que toda a gente consiga perceber as minhas fraquezas e possam atacar nisso.

Eu quero ser capaz de dizer que sim a qualquer convite que me façam, dizer que sim se me propuserem uma viagem às escuras. 

Tenho esperança que um dia irá ser possível...


09/05/2016

Dia 3 - Dúvidas Existenciais

É desesperante chegar a um ponto da minha vida em que estou cheia de dúvidas existenciais! A fase da adolescência já passou, miga...se calhar era melhor deixares-te disso!

Pois é mais fácil dizer do que fazer, neste caso escrever. Nesta fase, acho que já devia ter mais ou menos noção do que queria fazer com a minha vida no futuro: se encontro um novo trabalho onde seja melhor tratada e menos explorada (boa sorte com isso!), se me vou especializar em alguma coisa que goste, ou se não sigo nenhuma das duas e vou para o Tibete fazer um retiro religioso.

O grave da coisa é que todas elas me parecem muito boas opções...só que não. Estou impedida de exercer qualquer actividade profissional, por razões do foro psicológico (bastante visível, acho eu), e esta é uma excelente altura para pensar no que fazer e que acções tomar.

Tenho alguns processos de recrutamento em andamento, mas se for o mais sincera possível, eu não quero voltar a trabalhar nestas coisas novamente...simplesmente não tenho coragem! 
Sair duma situação má e ir meter-me numa semelhante, onde só muda o nome da empresa não me parece uma decisão inteligente. 

Critiquem-me o que quiserem: posso não saber o que quero, mas sei o que não quero com toda a certeza. Atingi o meu prazo de validade como funcionária de BackOffice (como gostam de chamar): para mim chega de levar com gente que gosta de passar mais tempo a tentar ver onde posso escorregar para me verem cair, de ter chefes e formadores incompetentes que sabem menos que eu, de trabalhar na ilusão de acreditar que nas primeiras semanas a minha entidade patronal acha mesmo que eu sou uma “pessoa” e importa-se comigo dessa forma, para depois perceber que sou carne para canhão e sou mais uma Maria no meio de todas as outras Marias (nome escolhido totalmente ao acaso, devo referir).

Pensando assim, parece-me uma decisão bastante fácil de tomar e na realidade até é, e graças à minha natureza impulsiva eu consigo tomá-la sem pensar muito. E depois sou assombrada pelo famoso “Sentimento de Culpa”, em que eu nos minutos/horas que se seguem começo a massacrar-me: que devia deixar de ser menina, engolir e dizer que sim, porque na realidade pessoas que têm este tipo de currículo traçado não têm outra hipótese sem ser isto. 

Devo referir, que este "jogo" psicológico é tudo fruto da minha cabeça e nunca ninguém próximo de mim o fez, antes pelo contrário. São sempre os primeiros a dizer que não devo ceder a este tipo de pressão, e que não me devo desgastar com quem não se importa comigo. Pois...tarde demais!

A decisão de voltar a estudar está feita, e até pensei que isso me fosse dar alguma segurança. Mas quando estou nestes momentos, dúvidas e dúvidas apoderam-se da minha cabeça, e resulta num post de mais de 500 palavras (que ninguém irá ler).

O tempo fora que me foi concedido, não por um bom motivo claro, vai ser precioso nesta decisão que tomei, porque vou poder concentrar-me a 100% no futuro e em algo que irá ser benéfico para mim.

Amanhã vai ser melhor, e vou ter tempo para curar estas dúvidas e confusões que anos de desgaste psicológico (e físico também), criado por maus ambientes, más gestões, e incompetência alheia, plantados na minha cabeça.


Por hoje, ficamos assim. Vou lanchar qualquer coisa, para ver se passa!

*Beijinhos*

05/05/2016

Dia 2 – Incompetência Humana

Se há coisa que me aborrece é a incompetência. Considero-me uma pessoa que se consegue abstrair com facilidade do mundo envolvente, mas não consigo deixar de me arrepiar com a incompetência.

Neste momento, e como muitas pessoas acredito, não estou a passar por uma muito boa fase da minha vida profissional e creio que grande parte do meu desgaste psicológico seja devido à incompetência alheia. Doença que se transformou numa pandemia nas empresas, e não só.

Desde a empresas que funcionam sem chefes qualificados para dar apoio, a locais que contratam funcionários sem dar a respectiva formação, tenho imensos episódios para contar, e não é com felicidade que digo isto...

O típico encolher de ombros quando questiono se será assim que se faz determinada coisa, ou a típica resposta “Não sei pergunta à Joaquina”, são coisas que me fazem entrar em ebulição, conter o refluxo gástrico e ter um episódio onde me vejo a dar um triplo mortal seguido de um golpe na jugular à “Joaquina” (que só por acaso é um nome escolhido completamente ao calhas). Mas como não posso fazê-lo, escolho por respirar fundo, fechar os olhos e contar até 10 em japonês (língua que me obriga a desligar momentaneamente o cérebro para prestar atenção apenas à sua dificuldade), viro costas e regresso à minha posição, sem saber o que fazer na mesma.

É graças à incompetência alheia que me tornei tão boa no que eles gostam de chamar de autonomia LOL, porque praticamente tudo o que aprendi a fazer nestes locais foi sozinha e de facto, tornei-me autónoma muito depressa.

Eu não sou perfeita, ninguém é; No entanto, há uma diferença entre as pessoas que utilizam o cérebro para o que ele serve na realidade, e pessoas que o utilizam para fazer equilíbrio à coluna vertebral (pois uma caixinha vazia no topo da cabeça tornava o resto do corpo numa coisa desengonçada creio eu). 

Em todas as coisas que me pedem, eu tento sempre aplicar-me ao máximo e se não sei, eu vou procurar saber. Custa-me ver que há tanta gente que vive a vida dia após dia, a fazer o que lhes mandam “porque sim” sem sequer perceberem se o que estão a fazer faz algum sentido ou não.

E depois quando surge um problema? Ai quando surge um problema, é uma coisa horrível...ninguém sabe como se faz, ninguém pode ajudar, “não sabemos” é sempre a resposta mais fácil.

Devo referir, que isto trata-se apenas da minha opinião. Não sou conhecida pela minha sensibilidade e se por acaso alguém lê aquilo que escrevo, peço imensa desculpa se ofendi alguém. Não foi de todo a minha intenção J

Só precisava de vir aqui aliviar os meus pensamentos nesta matéria, para não andarem em circuito fechado! Eles têm vontade própria e devemos obedecer.

E agora despeço-me mais leve, até porque tenho de ir passar a ferro!


*Beijinhos*