29/05/2016

Dia 6 - Socializar

Para ajudar ainda mais às minhas dificuldades quotidianas, eu também não sou das pessoas mais sociáveis à face da Terra. Costumo dizer que "odeio pessoas" e utilizo isso sempre como desculpa para não ser pressionada a socializar a toda a hora. Tive sempre a sorte, de na minha vida adulta, encontrar sempre pessoas pacientes o suficiente para perceberem esta minha dificuldade, e limitarem-se a rir disso e a não exercer qualquer tipo de pressão sobre mim.

Mas até que ponto a frase "eu odeio pessoas" é mesmo isso? Eu não odeio pessoas...eu sou uma pessoa também. O que eu tenho é dificuldade em lidar com elas, em marcar a minha presença e adaptar-me a qualquer tipo de situação e pessoa.

Em circunstâncias de trabalho, não há nada que me faça impedir qualquer tipo de confronto, desde que eu tenha razão; o meu "eu" profissional é completamente destemido, e não se sente minimamente julgado ou afectado pelas opiniões de terceiros.

Mas quando estamos num grupo de amigos, a coisa muda de figura: o pânico momentâneo, quando me apercebo que vou ter de estar rodeada de imensos "amigos" que irão estar prontos para fazer o primeiro julgamento, que vem sempre com a primeira impressão; a pressão de ser o máximo "interessante " que consiga; a tentativa de adaptação mesmo quando as circunstâncias não me agradam e vão completamente contra os meus princípios. Para mim, é uma situação complicada e que enfrento com muita dificuldade, todas as vezes que há um convite.

Não é normal sentir aquele nervoso todas as vezes que tenho de enfrentar o desconhecido (traduza-se um jantar de uma amiga que leva imensos amigos que não conheço ), ou o alívio sentido quando alguma coisa é desmarcada à última da hora (Oh que pena, lá vou ter de ficar em casa no conforto do meu sofá a ver programas japoneses). Isto é tão extremo que quase nunca consigo comer, fico sempre enjoada com o cheiro da comida e fico em pânico principalmente se houver bebida incluída.

Trata-se de um desgaste emocional muito grande, e que provavelmente me fez impedir de muitas coisas na minha vida.

Porque é que eu sou assim? Desde quando é que me tornei uma pessoa tão cheia de problemas sociais? 

Acho que o facto de ser sempre a pessoa menos "normal" nos meus tempos de estudante ainda tem o mesmo impacto na minha cabeça: eu não me vestia da mesma maneira, eu não gostava das mesmas coisas e mais importante ainda, eu não pensava da mesma maneira. 

No fim, vinha sempre o julgamento, e a minha tentativa de não deixar parecer que de facto eu não tinha nada a ver com quem me rodeava. Nunca tentei mudar nada em mim para ser igual aos outros todos, mas a minha vontade de agradar todos permanece. E quando me apercebo disto: eu faço o mesmo inconscientemente em todas as situações e com todas as pessoas da minha vida. 

Quando penso sozinha, não há assim nada que eu ache que esteja errado comigo...eu aceito-me e gosto da maneira como sou. Então porque é que é tão difícil para mim estar num sítio com pessoas que não conheço? Fico bastante insegura que toda a gente consiga perceber as minhas fraquezas e possam atacar nisso.

Eu quero ser capaz de dizer que sim a qualquer convite que me façam, dizer que sim se me propuserem uma viagem às escuras. 

Tenho esperança que um dia irá ser possível...


27/05/2016

Dia 5 - Psicologia

Pois é, quando chegamos a um ponto da nossa vida em que não chegamos lá sozinhos, a Psicologia é sempre a ajuda à qual recorrer.

Sendo uma pessoa pensante por natureza, adoro perceber o porquê de certas coisas acontecerem de certa forma, ou perceber se é pura estupidez da pessoa ou tem tudo uma razão de ser (infelizmente é quase sempre pura estupidez humana, venho a perceber...mas a dona esperança nunca morre). 

Ora isto causa uma corrente de pensamentos que andam aqui em circuito fechado, e no fim acaba sempre numa preocupação danada, ansiedade, insónias, etc.

Como isto já se tornava recorrente, resolvi então admitir que precisava de uma outra cabeça livre e que me pudesse ajudar a perceber o que se passa, de maneira a ajudar-me a lidar com as ansiedades e stresses da vida.

Estando algo traumatizada com todo o processo de psicologia, é bastante doloroso para mim voltar a ser analisada ao máximo pormenor e ser o mais aberta possível sobre a minha vida. Mas é um mal necessário, e a longo prazo irá fazer todo o sentido.

Para meu bem pessoal, a minha psicóloga (ou terapeuta que fica mais chique ) trabalha com Mindfulness, que pelo que me explicaram, não é nada mais nada menos do que técnicas de meditação budistas! Bingo!! Tudo na minha vida tem de vir do continente asiático!

Isto acaba por ser bastante interessante, e admito que nunca experimentei mas sempre tive  bastante curiosidade. Ficamos em contacto com o nosso subconsciente, aprendemos técnicas de relaxamento que nos ajudam a lidar com as situações de stress do dia-a-dia, e aprendemos a viver o momento e a não pensar na loiça que temos para lavar quando chegármos a casa ou no cão que ainda não foi à rua. 

Para uma pessoa extremamente activa cerebralmente (ou ansiosa se preferirem) é exactamente disto que eu preciso! Não fico minimamente em pânico por sentir que as técnicas utilizadas na minha análise psicológica não são as da velha guarda (que me sinto como um insecto num tubo de ensaio) e tem efeito a longo prazo.

A próxima fase é tornar-me completamente impermeável, à prova de estupidez e stress!

O próximo update será sobre isto mesmo!

*beijinhos*

18/05/2016

Dia 4 - Separação

Faz hoje anos que partiste...embora eu não mostre o que vai na minha cabeça, eu sinto-me como se nunca tivesses ido embora; parece que estás a tirar umas férias demasiado prolongadas e que não podes cá vir.

As partidas das pessoas são sempre injustas, mas a tua foi de muito mau gosto. Não se faz a ninguém, coisa dolorosa e feia como o cancro.

Quando partiste, eu não fui capaz de me despedir de ti...não queria ter como última imagem de ti deitada numa cama, praticamente sem qualquer sentido nem a força que associo a ti sempre.

Às vezes pergunto-me se deveria ter ganho coragem e ter ido, e pergunto-me também, se onde estiveres, me perdoas por não o ter feito.

Para mim, a consideração deve ser mostrada em vida, e não depois disso. Depois disso, já nada faz sentido.

Eu não conto isto a ninguém, porque gosto de manter a minha carapaça de pessoa forte, mas sonho contigo imensas vezes e são tão reais. Em todos eles, tu estás viva, bem, a sorrir e a atrofiar com todos, como era típico da tua personalidade.

Eras um furacão, e tinhas muito para fazer ainda...não merecias que te levassem tão cedo. Espero que onde estejas, espalhes a tua força e leves tudo à frente, como era hábito teu.

Comigo ficam as boas memórias tuas, todas elas bastante divertidas, a tristeza de quem te perdeu, e a esperança de que através de alguma força divina nós voltaremos a encontrar.

Até breve tia, fizeste a diferença em todas as vidas nas quais passaste.

12/05/2016

Fora de âmbito - Música é vida

Vou tentar escrever um tópico mais leve: Música.

Pois é, a música para mim funciona como uma terapia, uma forma de deixar de ouvir pessoas ignorantes que não têm qualquer tipo de contributo a dar para a minha existência, para acalmar os ânimos...música para mim é como o leite condensado na cozinha: dá para tudo!

Como já referi, na minha mini descrição pessoal, sou fã da cultura japonesa já há alguns anos e por onde me captivou inicialmente foi pela música. No ano de 2011, mais ou menos, lá estava eu Maria Pancrácia (nome escolhido totalmente ao acaso) a terminar a minha Prova de Aptidão Profissional e devo de admitir que estava a passar por uma fase muito semelhante à que estou a passar agora, ou seja, depressiva. Com a excepção de que, a música que eu ouvia era uma réplica do meu estado de espírito – o mundo odeia-me, tudo está errado e eu odeio todo o mundo. Digamos, coisas normais da adolescência...A coisa já não é bem assim neste momento, thank God!!

Portanto, à procura de inspiração e de me transformar um nadinha mais leve de espírito, comecei por ouvir uma boysband Japonesa, completamente no gozo (recomendada por uma colega minha na altura, cuja a prima vivia em França e estava louca por este tipo de coisa). Pois que, dei por mim a ter um enooooormeeee trabalho de pesquisa sobre a banda (porque aquele tipo de banda não é nada popular neste cantinho ocidental da Europa), e os Japoneses fazem favor de colocarem o mínimo disponível online. Lá consegui, e passou a ser a minha banda sonora durante a construção da minha prova escrita. Devo dizer, que ainda hoje, quando bate saudade e vou ouvir novamente, é desta época da minha vida de que me lembro.

Era mesmo deste tipo de coisa que eu precisava: Os elementos da banda eram super femininos, com looks completamente diferentes do que achamos aceitável por aqui; a música cheia de vida e com grandes mensagens motivacionais (que eu descobri quando fui ver a tradução ah ah ah); e a minha parte favorita – as coreografias! Tudo muito “kira-kira” (palavrinha que usamos para descrever algo brilhante em japonês), e totalmente diferente da minha depressão de música.

A partir dessa altura, e com alguma ajuda psicológica (que admito devo de estar a precisar de novo), o meu estado de espírito mudou completamente. A minha maneira de vestir mudou, a minha personalidade mudou, a minha cor favorita mudou – passei a ver tudo a partir de uns óculos de sol cor-de-rosa – e para quem ache que isso é a coisa mais pirosa e horrorosa do mundo: estão certos, é mesmo, mas é também uma forma de felicidade e de bem-estar que não atingia há muito tempo.

Não fiquei por aí, esta foi só a pontinha da unha...Continuei a pesquisar, descobri outras bandas que gostei ainda mais e devo dizer que quanto mais se ouve este tipo de música, menos se irá gostar da música ocidental.

Continuo a gostar de música pesada, baladas, essas coisas lamechas horríveis que toda a gente gosta e ninguém admite – mas não fico deprimida novamente.

Sou eu que adapto a música ao meu estado de espírito, não é a música que se adapta a mim.

Gostaria imenso de partilhar alguma coisa aqui, mas é impossível de encontrar no YouTube. De qualquer das formas, tenham mente aberta, ninguém pode dizer que não gosta até experimentar! Ah e como tudo na vida: primeiro estranha-se e depois entranha-se :)

*Beijinhos*



09/05/2016

Dia 3 - Dúvidas Existenciais

É desesperante chegar a um ponto da minha vida em que estou cheia de dúvidas existenciais! A fase da adolescência já passou, miga...se calhar era melhor deixares-te disso!

Pois é mais fácil dizer do que fazer, neste caso escrever. Nesta fase, acho que já devia ter mais ou menos noção do que queria fazer com a minha vida no futuro: se encontro um novo trabalho onde seja melhor tratada e menos explorada (boa sorte com isso!), se me vou especializar em alguma coisa que goste, ou se não sigo nenhuma das duas e vou para o Tibete fazer um retiro religioso.

O grave da coisa é que todas elas me parecem muito boas opções...só que não. Estou impedida de exercer qualquer actividade profissional, por razões do foro psicológico (bastante visível, acho eu), e esta é uma excelente altura para pensar no que fazer e que acções tomar.

Tenho alguns processos de recrutamento em andamento, mas se for o mais sincera possível, eu não quero voltar a trabalhar nestas coisas novamente...simplesmente não tenho coragem! 
Sair duma situação má e ir meter-me numa semelhante, onde só muda o nome da empresa não me parece uma decisão inteligente. 

Critiquem-me o que quiserem: posso não saber o que quero, mas sei o que não quero com toda a certeza. Atingi o meu prazo de validade como funcionária de BackOffice (como gostam de chamar): para mim chega de levar com gente que gosta de passar mais tempo a tentar ver onde posso escorregar para me verem cair, de ter chefes e formadores incompetentes que sabem menos que eu, de trabalhar na ilusão de acreditar que nas primeiras semanas a minha entidade patronal acha mesmo que eu sou uma “pessoa” e importa-se comigo dessa forma, para depois perceber que sou carne para canhão e sou mais uma Maria no meio de todas as outras Marias (nome escolhido totalmente ao acaso, devo referir).

Pensando assim, parece-me uma decisão bastante fácil de tomar e na realidade até é, e graças à minha natureza impulsiva eu consigo tomá-la sem pensar muito. E depois sou assombrada pelo famoso “Sentimento de Culpa”, em que eu nos minutos/horas que se seguem começo a massacrar-me: que devia deixar de ser menina, engolir e dizer que sim, porque na realidade pessoas que têm este tipo de currículo traçado não têm outra hipótese sem ser isto. 

Devo referir, que este "jogo" psicológico é tudo fruto da minha cabeça e nunca ninguém próximo de mim o fez, antes pelo contrário. São sempre os primeiros a dizer que não devo ceder a este tipo de pressão, e que não me devo desgastar com quem não se importa comigo. Pois...tarde demais!

A decisão de voltar a estudar está feita, e até pensei que isso me fosse dar alguma segurança. Mas quando estou nestes momentos, dúvidas e dúvidas apoderam-se da minha cabeça, e resulta num post de mais de 500 palavras (que ninguém irá ler).

O tempo fora que me foi concedido, não por um bom motivo claro, vai ser precioso nesta decisão que tomei, porque vou poder concentrar-me a 100% no futuro e em algo que irá ser benéfico para mim.

Amanhã vai ser melhor, e vou ter tempo para curar estas dúvidas e confusões que anos de desgaste psicológico (e físico também), criado por maus ambientes, más gestões, e incompetência alheia, plantados na minha cabeça.


Por hoje, ficamos assim. Vou lanchar qualquer coisa, para ver se passa!

*Beijinhos*

05/05/2016

Dia 2 – Incompetência Humana

Se há coisa que me aborrece é a incompetência. Considero-me uma pessoa que se consegue abstrair com facilidade do mundo envolvente, mas não consigo deixar de me arrepiar com a incompetência.

Neste momento, e como muitas pessoas acredito, não estou a passar por uma muito boa fase da minha vida profissional e creio que grande parte do meu desgaste psicológico seja devido à incompetência alheia. Doença que se transformou numa pandemia nas empresas, e não só.

Desde a empresas que funcionam sem chefes qualificados para dar apoio, a locais que contratam funcionários sem dar a respectiva formação, tenho imensos episódios para contar, e não é com felicidade que digo isto...

O típico encolher de ombros quando questiono se será assim que se faz determinada coisa, ou a típica resposta “Não sei pergunta à Joaquina”, são coisas que me fazem entrar em ebulição, conter o refluxo gástrico e ter um episódio onde me vejo a dar um triplo mortal seguido de um golpe na jugular à “Joaquina” (que só por acaso é um nome escolhido completamente ao calhas). Mas como não posso fazê-lo, escolho por respirar fundo, fechar os olhos e contar até 10 em japonês (língua que me obriga a desligar momentaneamente o cérebro para prestar atenção apenas à sua dificuldade), viro costas e regresso à minha posição, sem saber o que fazer na mesma.

É graças à incompetência alheia que me tornei tão boa no que eles gostam de chamar de autonomia LOL, porque praticamente tudo o que aprendi a fazer nestes locais foi sozinha e de facto, tornei-me autónoma muito depressa.

Eu não sou perfeita, ninguém é; No entanto, há uma diferença entre as pessoas que utilizam o cérebro para o que ele serve na realidade, e pessoas que o utilizam para fazer equilíbrio à coluna vertebral (pois uma caixinha vazia no topo da cabeça tornava o resto do corpo numa coisa desengonçada creio eu). 

Em todas as coisas que me pedem, eu tento sempre aplicar-me ao máximo e se não sei, eu vou procurar saber. Custa-me ver que há tanta gente que vive a vida dia após dia, a fazer o que lhes mandam “porque sim” sem sequer perceberem se o que estão a fazer faz algum sentido ou não.

E depois quando surge um problema? Ai quando surge um problema, é uma coisa horrível...ninguém sabe como se faz, ninguém pode ajudar, “não sabemos” é sempre a resposta mais fácil.

Devo referir, que isto trata-se apenas da minha opinião. Não sou conhecida pela minha sensibilidade e se por acaso alguém lê aquilo que escrevo, peço imensa desculpa se ofendi alguém. Não foi de todo a minha intenção J

Só precisava de vir aqui aliviar os meus pensamentos nesta matéria, para não andarem em circuito fechado! Eles têm vontade própria e devemos obedecer.

E agora despeço-me mais leve, até porque tenho de ir passar a ferro!


*Beijinhos*

04/05/2016

Dia 1 - Vamos lá experimentar

Bem, vou começar pelo início. 

Estou apenas a passar por um período de confusão mental, e parece-me melhor partilhar com alguém que eu não conheço, porque parece-me que me podem entender melhor.

Serve apenas para arrancar da minha cabeça e partilhar algumas das minhas ideias sem nexo, e para ter alguma coisa em que me empenhar a fazer.

Fui inspirada por uma amiga que me disse: "Até podem ser as pedras da calçada, mas nunca sozinha"...Por isso, o Mais vale acompanhada do que sozinha, serve exactamente para isso. Isto serão as minhas pedras da calçada.

Sou capaz de falar sobre outras coisas, afinal eu tenho sempre muito que dizer ;)

Espero conseguir que alguém leia...se não conseguir, também não faz mal: o que conta é a intenção!